AGENDA 2020

GIRAS CANCELADAS DEVIDO A PANDEMIA

26/09 (Sáb) - 19h - Festa de Cosme e Damião

24/10 (Sáb) - 19h - GIRA DE PRETOS VELHOS

21/11 (Sáb) - 19h - GIRA DE BAIANOS

19/12 (19h) - GIRA DE EXUS

(senhas entregues das 18:45h às 19:00h)

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2016

Yemanjá – A Mãe dos Orixás

Senhora dos Oceanos, Mamãe Yemanjá representa o ideal feminino da maternidade, o acolhimento e a proteção de todos os seres vivos. Sincretizada com a Virgem Maria, a Mãe de Deus, comemoramos seu dia em 08 de Dezembro na Umbanda, dia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição para os católicos.


            Cantada e declamada em verso e prosa pelos quatro cantos do país, é impossível negar a tamanha influência que Yemanjá exerce na cultura brasileira.  Desde os apelos popularescos das telenovelas globais, que atinge todas as camadas sociais da população, até as obras mais intelectualizadas de compositores, como Dorival Caymmi ou escritores, como Jorge Amado que A definiu da seguinte forma: “Yemanjá, rainha do mar, é também conhecida por dona Janaína, Inaê, Princesa de Aiocá e Maria, no paralelismo com a religião católica. Aiocá é o reino das terras misteriosas da felicidade e da liberdade, imagem das terras natais da África, saudades dos dias livres na floresta".

            Se existe um apelo popular nas horas mais difíceis em que um filho pede socorro à mãe, mesmo daqueles que não pertencem à religião, que atravessou o Oceano Atlântico, na vinda forçada da África para a América, e resistiu a séculos de maus tratos e perseguições, certamente é o culto à Senhora das Águas Salgadas; Ela representa o poder progenitor feminino; é ela que nos faz nascer, divindade que é maternidade universal, a Mãe do Mundo.
           
N. Sra. dos Navegantes
Suas festas são as mais populares dentro da Umbanda e do Candomblé, especialmente no extenso litoral brasileiro. Na Bahia e no Rio Grande do Sul é mais comemorada em 02 de fevereiro, dia de Nossa Senhora dos Navegantes. Em Porto Alegre é a maior festa religiosa do Sul do Brasil, realizada desde 1870. Os organizadores da festa consideram que esta é a segunda maior romaria religiosa do País, ficando atrás apenas do Círio de Nazaré realizada em Belém do Pará. Com uma grande participação popular tanto na realização da festa, como nas comemorações.
            A etimologia de Seu nome vem do Yorubá Yèyé omo ejá, cuja tradução literal seria "Mãe cujos filhos são peixes". Protetora de todas as atividades e profissões ligadas ao mar. Senhora das ondas, dos peixes, da pesca e da vida marinha em geral. Uma de suas principais representações é a Lua, que domina todas as marés, ressacas e maremotos. Conhecida também como Deusa das Pérolas, é o Orixá que apara a cabeça dos bebês na hora do nascimento. Rege os lares, as casas, as uniões, as festas de casamento e as comemorações familiares. Responsável pela união e pelo sentido de família, seja por laços consangüíneos ou não.
            Conforme relata o estudioso, Norberto Peixoto, na mitologia africana, Yemanjá é um dos Orixás primordiais, pois quando Zambi (Deus) encarregou Obatalá de criar o Ayê (Terra), lá estava a Grande Mãe, Geradora Divina, fornecendo água para a formação da vida. Por isto Yemanjá, não é uma figura feminina passiva e materna, é uma matriz energética extremamente poderosa controlando atributos Divinos. E mais, por ser responsável, na criação dos Oris – nossas cabeças metafísicas – pela supervisão dos caminhos e destinos das almas, Ela é Iyá Ori, ou seja, mãe de cabeça de todos os seres humanos, independente de qual seja o Orixá (Santo de Cabeça) de cada um.
           
As pessoas de Yemanjá, normalmente são imponentes, majestosas, dignas, calmas, sensuais e fascinantes (o canto das sereias). Suas filhas costumam ser altas e “robustas”, de cinturas largas e seios generosos, são sérias, cuidam da vaidade e da aparência. Por vezes são fechadas, pacientes, prestativas, excelentes na organização, sobretudo nos aspectos disciplinadores de um agrupamento ou centro religioso. Tornam-se combativas e se enfurecem quando contrariadas no ideal que defendem, colocam a família ou o coletivo acima de tudo. Boas educadoras, de fácil trato social, porém, são vingativas, rancorosas, têm dificuldades em perdoar ofensas, são ciumentas e possessivas com as pessoas que amam.

            Seu dia da semana é o sábado, sua cor o azul claro, elemento água, suas ervas principais são a alfazema e o manjericão, dona da força mental devemos recorrer a Ela para solucionar problemas emocionais e depressivos. Sua saudação é “Odoyá”. Axé! 

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Oxóssi – Senhor do Conhecimento

            
Oxossi é o Orixá caçador por excelência. Sua busca visa o conhecimento e a evolução. É o cientista e o doutrinador, que traz o alimento da fé e o saber aos espíritos fragilizados. No sincretismo é São Sebastião, Padroeiro do nosso município.
            Dando continuidade a seqüencia de artigos sobre os principais Orixás do panteão africano, abordaremos hoje o conhecido e muito querido senhor Oxossi. Assim como Xangô e Ogum, este Orixá completa o trio dos grandes deuses ou santos guerreiros mais populares no Brasil. Muitas pessoas, independente de pertencer ou não a uma religião de matriz africana (Umbanda, Candomblé, Catimbó, etc.), já cantaram ou ouviram falar de Oxossi. Seja através da música, onde encontramos, por exemplo, na letra de uma das canções mais populares da história da MPB, “Majestade O Sabiá”, composta por Roberta Miranda e eternizada na poderosa voz de Jair Rodrigues e regravada diversas vezes por importantes artistas brasileiros; ou por meio de outras formas de expressão da nossa cultura nacional.
            Oxossi é o guardião das matas e florestas. Protetor dos animais e também de todos os caçadores que dependem desta atividade para sobreviver, sempre respeitando a presa e lutando pela preservação do meio ambiente. Ele próprio foi um caçador, por isto seu instrumento é o Ofá (arco-e-flecha). O nome Oxossi vem do termo Yorubá òsò wúsí, que significa "guardião feiticeiro", pois, segundo a mitologia, Oxossi aprendeu a lidar com a magia das folhas, dos animais e da natureza e também realizou uma grande proeza ao matar, com uma única flecha, o pássaro-monstro que afligia o povo de Ketu, razão pela qual se tornou o rei e soberano desta cidade.
            Em outras nações Oxossi, também é chamado de Odé, que vem do termo Yorubá odẹ, que significa literalmente "o caçador". O eminente fotógrafo e escritor francês Pierre Verger, em seu livro Orixás, diz que o culto a Oxossi foi praticamente extinto na região de Ketu, na África, uma vez que a maioria de seus sacerdotes foi escravizada, tendo sido enviados à força para o Novo Mundo ou mortos. Aqueles que permaneceram em Ketu deixaram de cultuá-lo por não se lembrarem mais como realizar os ritos apropriados ou por passarem a cultuar outras divindades. Durante a diáspora negra, muitos escravos que cultuavam Oxossi não sobreviveram aos rigores do tráfico negreiro e do cativeiro, mas, ainda assim, o culto foi preservado no Brasil e em Cuba pelos sacerdotes sobreviventes e Oxossi se transformou num dos Orixás mais populares, tanto no Candomblé, quanto na Umbanda, onde é patrono da Linha dos Caboclos, uma das mais ativas da religião.
            Oxossi ensina o equilíbrio ecológico e condena o aspecto predatório da relação do homem com a Natureza. Atua nos campos da concentração, da determinação e favorece a paciência necessária para a vida em liberdade. Ele é o regente da lavoura e da Agricultura, responsável pela fartura nas colheitas. Devido ao seu conhecimento profundo das folhas atua nos aspectos medicinais, espirituais e ritualísticos das ervas de modo geral. Como no Brasil a figura mítica do indígena habitante da floresta é bastante forte, a sua representação, por vezes, aproxima-se mais do índio do que do negro africano. Eventualmente isto explica seu apadrinhamento dos Guias de Luz da Linha dos Caboclos na Umbanda.
            As pessoas cujo Ori (cabeça) pertencem a este Orixá, normalmente são esbeltas, ágeis e perspicazes; de curiosidade aguçada, inteligentes, intelectuais e estudiosos, observadoras, buscam o desconhecido, são desbravadoras assim como as filhas e filhos de Ogum. Também são pessoas honestas, desinteressadas, altruístas e espontâneas. Por outro lado, são inconstantes, entediam-se facilmente e não persistem, desistindo muitas vezes de seus projetos no meio do caminho. Sonhadoras, às vezes vivem ilusões, têm dificuldades para guardar o dinheiro que ganham e possuem certa tendência à preguiça.

           
Sua data comemorativa é 20 de Janeiro. O dia da semana é a quinta-feira, Sua cor é o verde, seu ponto de força na natureza são as florestas, seu elemento primordial é a terra. Todas as árvores praticamente são de seu domínio, inclusive a madeira é sua matéria prima, por isso Oxossi é o protetor de todos os carpinteiros e marceneiros. Seu aspecto de caçador serve, na verdade, para encontrar e trazer de volta as almas perdidas ou desenganadas, oprimidas e desorientadas de volta à Luz de Jesus Cristo e à salvação. Auxilia na recuperação do ânimo e no combate a depressão. Sempre que necessitarmos de Sua força devemos saudar “Okê arô”! Axé!

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Xangô – O Rei dos Orixás

     
 Xangô é o Orixá da Justiça, e seu campo de atuação é preferencialmente a Razão. Despertando nos seres o senso de equilíbrio e isonomia. Promove a conscientização e desperta as pessoas para os reais valores da vida; em que a evolução espiritual se processa num fluir contínuo.

            Segundo a mitologia africana, da união de Oxalá e Iemanjá, nasceu Xangô, o filho dileto dos Orixás primevos. Guerreiro de grande valentia, destacou-se como conquistador de terras, dominando inclusive o importante país de Óio, onde foi proclamado rei. Além de rei de Óio, chegou a ser chamado de rei de toda a áfrica, recebendo depois de morte os títulos de deus do meteorito, deus do raio e do trovão.

       

     Notamos aqui o tamanho da importância deste Orixá no panteão religioso e cultural das crenças e religiões originárias do povo negro. Historicamente há uma mescla entre mitologia e realidade, estudiosos discutem, ainda hoje, até onde as lendas em torno do nome de Xangô são apenas de origem sagrada e religiosa ou, também, de origem histórica, uma vez que se tem registros de diversos monarcas e imperadores reais que deixaram sua marca na antiguidade do continente africano e suas façanhas são contadas e divinizadas como se fossem do próprio Orixá.

             Conhecido por sua virilidade, imponência e senso de justiça. Castiga os malfeitores e mentirosos, e é impiedoso com os traidores. Senhor da verdade, protege especialmente as pessoas de meia-idade, constituindo-se num dos deuses mais fortes e misteriosos dos cultos afro-brasileiros. Tanto é que, em algumas regiões do país (Rio Grande Sul e Maranhão), Xangô é o próprio nome da religião em si; assim como Candomblé, Catimbó e Umbanda.

            No sincretismo é identificado, normalmente, como São Jerônimo. Talvez pelo aspecto da sabedoria representado por este santo católico, o tradutor da bíblia, que, para tal fim, se retirou em isolamento nas montanhas, pontos de força natural deste Orixá. Mas, também, tem similitude com São João Batista, chamado de Xangô Kaô. Em algumas Casas de Axé pode ser encontrado, ainda, no culto a Santo Antônio, São José ou São Pedro. Por isso os festejos juninos são indiretamente outra forma de reverenciar o deus do Trovão.


           
  Culturalmente, Xangô é muito divulgado tanto em nosso país, quanto no exterior. Por meio de artistas brasileiros, da literatura, da pintura e da música. O maestro Vila Lobos, de renome internacional, incluiu em seus temas uma composição para Coro Misto de cinco vozes à Capela, apresentada pela primeira vez em junho de 1934, no Rio de Janeiro, sob regência do próprio compositor, intitulada “Xangô”.

Aroeira
             Quando se manifesta nos terreiros, a irradiação sobre seus filhos de santo é sempre muito forte e sonora como o trovão. Normalmente o médium abre os braços acima da cabeça como se estivessem recebendo a energia de um relâmpago e depois cruza os braços em sinal de ordem. Seu instrumento sagrado é o Oxé, machado de duas asas com o qual, segundo a lenda, lança seus meteoritos. Sua expressão oral é um brado vibrante que revela sua autoridade e seu protesto contra a injustiça sofrida pelos que a Ele recorrem. Seu dia da semana é a quarta-feira, sua cor é o marrom, suas principais ervas são o manjericão roxo e a guiné. Suas árvores sagradas são a mangueira, o limoeiro e a aroeira; seu elemento primordial é o fogo.


            As pessoas cujo Ori (cabeça) são regidas por este Orixá possuem temperamento equilibrado, são metódicos, não tomam decisões rápidas, gostam de pensar o suficiente sobre todos os ângulos das questões a serem resolvidas; são capazes de grandes sacrifícios, mas se aborrecem facilmente quando as coisas não saem conforme o planejado; são acomodados, sofrem muito em fases de mudanças, sejam elas profissionais, familiares ou amorosas; extremamente honestos, honrados e precisos em suas opiniões. Abominam surpresas, preferem tudo bem estudado com antecedência, são detalhistas. Voluntariosos, rígidos e odeiam ser contrariados. Apresentam tendência à obesidade e à calvície, são robustos e imponentes. Por vezes são orgulhosos, prepotentes e muito teimosos. São líderes natos, se dão muito bem em política, direito e nas áreas da comunicação. Todos que necessitam resolver alguma questão na justiça devem recorrer a este Orixá. E para reverenciá-lo, saudamos dizendo: “Kaô Kabecilê”! Salve Nosso Pai Xangô! Axé! 

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Oxum – Rainha das Águas Doces

  

             Todos os anos, em 12 de outubro há muitas comemorações e homenagens à Padroeira do Brasil - Nossa Senhora Aparecida; também é dia de festas para os Umbandistas, que homenageiam Mamãe Oxum. Ela simboliza o amor, a união e o casamento. Seu elemento é a água doce, símbolo universal da riqueza e prosperidade, e está presente nos rios, lagos, fontes, cachoeiras e regatos.

            Ialodê – dama ou lady, pelas etnias Iorubás. Oxum é, por excelência, a representação do ideal feminino. Inclusive a menstruação e a maternidade são aspectos fundamentais de seu arquétipo.
Se existe um Orixá representante da feminilidade, certamente é Oxum. Chamada também de

            Ligada ao Rio Oxogbó, na região de Ijexá (Nigéria), é a Senhora das águas doces e cristalinas, podendo, em algumas situações muito especiais, ter sua vibração em pontos da Natureza à beira mar. Sendo a Senhora da Fertilidade é muito solicitada também pelos agricultores a fim de favorecer uma boa colheita. Seu Axé é fixado na terra depois das cheias dos rios e lagos, permitindo assim, a germinação das sementes das futuras plantas que garantirão a sobrevivência da espécie humana. Talvez seja este o motivo pelo qual Oxum é, há séculos, um dos Orixás mais venerados no panteão dos santos africanos. E claro, sincretizada com Nossa Senhora Aparecida não só por esta santa católica ser uma Virgem Negra, mas, principalmente, por ter sido encontrada nas águas doces do Rio Paraíba em 1717.



 

            Pedidos de oração para fartura e prosperidade são em geral feitos para Oxum. Ela protege as mães e as crianças, inclusive uma de suas qualidades conhecida como Oxum Abalô é sincretizada com Nossa Senhora do Bom Parto, uma vez que é ligada aos Ibejis – santos gêmeos; gosta de crianças, propicia filhos, ajuda casais com dificuldades para engravidar, protege as gestantes e favorece um bom parto; cuidando de nutrir, zelar e proteger todos que necessitam dela.

            Está sempre preocupada com o conforto das pessoas que as cercam, querendo atender suas necessidades. As boas maneiras, a sensibilidade e a compaixão são seus atributos, já que é muito dedicada ao próximo. Ela estimula a união matrimonial; favorece a conquista da riqueza espiritual e a abundância material. Atua na vida dos seres estimulando em cada um os sentimentos de amor, fraternidade e união.

            Outro atributo Seu é o domínio das artes, música e dança, por isto a Curimba – orquestra de atabaques e percussão dos terreiros – é sempre protegida por este Orixá. Conta a lenda que Oxum usou de seus encantos para ludibriar Exu e assim aprender os segredos dos búzios, de forma que quando alguém consultar este oráculo africano, estará sob a influência de Mamãe Oxum.

            São muitos os filhos e filhas de Oxum espalhados no Brasil, eventualmente são a maioria nos terreiros de Umbanda. Suas principais características são: pessoas elegantes e charmosas; bastante vaidosas; atenciosas e trabalhadoras; são espertas e possuem um “quê doce” no olhar; são afetivas e carismáticas; profissionalmente são dedicadas e sensatas; amam com sinceridade e possuem uma persistência incrível. Por outro lado, podem ser chantagistas, de choro fácil, dramáticas e, vez ou outra, gostam de se fazer de vítimas para ter a piedade alheia; quando implicam com alguém são matreiras e debochadas; são possessivas; muito ciumentas; exigentes, chegam a ser autoritárias e adoram criticar. Fazem questão de receber atenção, odeiam quando são ignoradas e gostam de estar sempre em evidência.


            Todas as profissões ligadas a moda e artes em geral são protegidas de Oxum. Também as atividades educacionais, principalmente as relacionadas ao ensino infantil. Atua no campo das idéias (mental, intelectual) em todos os ramos em que é necessária a “inspiração” para criar coisas novas ou encontrar soluções que melhorem resultados empresariais ou comerciais. Seu dia da semana é o sábado, a cor predominante é o dourado, seus principais instrumentos são os búzios, o leque e o espelho. Suas ervas são o manjericão e a melissa. Devemos ofertar velas e rosas amarelas para Oxum. E, para saudar e pedir a proteção da Rainha das Águas Doces, dizemos: “Ora Iê Iê ô”. Axé!  

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Iansã - A Senhora dos Ventos

               
                  Oyá ou Iansã é a deusa do Rio Níger na África, segundo a lenda seria o próprio rio que garante a sobrevivência de inúmeras etnias ao longo de suas margens. Orixá dos ventos e tempestades possui um caráter temperamental e autoritário; por outro lado, é a responsável pela condução da energia vital no planeta.

           
          Ao contrário do que muitos podem imaginar, devido a sua impetuosidade, Iansã atua principalmente no campo emocional dos filhos de Umbanda. É aplicadora da Lei, assim como Ogum, na vida dos seres humanos, particularmente daqueles que vivem um estágio transitório da evolução kármica, pois “esgota” os vícios emocionais e redireciona seus protegidos, abrindo-lhes novos campos por onde evoluirão de forma menos “emotiva”. Por esta razão os filhos deste Orixá são, normalmente, um tanto sisudos e fechados. Aparentam agir mais pela razão e raciocínio lógico, chegam a ser considerados pessoas frias, calculistas ou indiferentes quando, na verdade, são tão passionais quanto quaisquer outras. Às vezes se evolvem demais com determinada situação, são profundos, gostam de discutir os mínimos detalhes e, por muito pouco se melindram.
            Na mitologia africana Iansã foi uma das esposas de Xangô, sendo, assim como seu consorte, também um Orixá que trabalha na Linha da Justiça, defendendo as causas daqueles que têm o devido merecimento perante Zambi, o Supremo Criador. É considerada a representante feminina nas batalhas; a guerreira nata, não mede esforços para vencer uma disputa ou algum obstáculo em seu caminho. Muito solicitada pelos crentes em momentos de agonia e desespero. Auxiliadora nas recuperações de pessoas e famílias que sofreram uma grande perda ou sobreviveram a uma catástrofe ou trauma. Seu elemento primordial é o “ar”. Com seus ventos indomáveis varre todo o mal; com seus raios e coriscos espanta os malfeitores e as cargas nocivas; com as águas tempestuosas das chuvas, limpa e descarrega tudo que é negativo. Eventualmente seja por isto que é sincretizada com Santa Bárbara, a mártir católica do século III. E sua data comemorativa também é 04 de dezembro.


            Iansã é renovadora. Suporta bem e tem facilidade nas mudanças, seja no aspecto profissional ou afetivo. Assim como os ventos, jamais um filho ou uma filha de Iansã se acomoda. E dificilmente residirá sempre na mesma casa ou cidade; ou trabalhará num mesmo emprego ou atividade por toda sua vida... São pessoas independentes e fazem questão de manter o próprio sustento. Gostam de manter fortes relações amorosas e familiares, porém nunca abrem mão de sua liberdade.

           
           Sua manifestação, quando incorporada no médium (filho de santo), é sempre muito forte, dança velozmente e faz rodopios como um redemoinho e seus gestos lembram uma luta com espadas. Estes movimentos desfazem os miasmas espirituais do ambiente e revitaliza o Axé de todos os presentes no terreiro. Utiliza pano da costa, nas cores vermelho e branco, com predomínio do vermelho vivo. Chifres de búfalo na cintura e nas mãos e um alfanje (espada) representando seu aspecto guerreiro. Possui ainda o Eruexin, uma espécie de espanador feito de pelos de rabo de boi ou de cavalo. Com este instrumento em particular, Iansã domina as almas rebeldes de desencarnados (Eguns), acalmando-os e direcionando-os aos locais de recuperação e aprendizado.

                         
                 Sua saudação é Eparrêi Oyá. Seu dia da semana é a quarta-feira, porém muitas Casas de Axé a cultuam aos sábados, dia de todas as Yabás – Orixás femininos. As velas na cor laranja são as preferidas de Iansã; suas principais ervas são a arruda, a alfazema e a cavalinha. O bambuzal representa a vibração e ponto da Natureza deste Orixá. Local, por excelência, utilizado nos cultos de Nação (Candomblé) para reverenciar e equilibrar as emoções de todos que buscam as bênçãos de Iansã.


            Que a Senhora dos Ventos proteja e auxilie todos a superar os momentos tempestuosos na vida. Eparrei Oyá! Axé! 

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

OBALUAIÊ, Orixá da Transformação!

           


Obaluaiê é o Orixá que atua na Evolução. Seu campo preferencial é aquele que sinaliza as mudanças de um nível vibratório ou estágio da Evolução para outro. É o Orixá das “passagens”: aprendizado, iluminação, reencarnação e desencarnação.

            Dando seqüência a serie de artigos sobre os Orixás e aproveitando a proximidade de sua data comemorativa (02 de novembro), vamos falar hoje sobre o misterioso Senhor Obaluaiê, Orixá muito cultuado em solo brasileiro, porém bastante temido, mais pelo desconhecimento do que pelas reais forças que o representam.

       
     Chamado por muitos de “Orixá da morte”, Obaluaiê é na verdade um renascido. Na mitologia africana Ele foi abandonado e rejeitado por sua genitora quando ainda bebê, devido a sua horrível aparência causada por doenças que deformam a pele. Foi lançado ao mar para morrer... Porém, a Senhora dos Oceanos acolheu-o em seus braços. Mamãe Iemanjá, com seu amor e paciência, curou as feridas daquela criança que, com o tempo, aprendeu todos os segredos das doenças e da cura. Já crescido, bonito e forte Obaluaiê se revelou aos outros Orixás, tamanha era sua força e seu conhecimento sobre a vida e a morte que passou a ser respeitado e venerado dentro do panteão de santos africanos.

            Talvez seja por isso que Ele é sincretizado com São Lázaro dos católicos, o santo ressuscitado. Na sua forma de velho, conhecida como Omulú, é São Roque. Protetor da medicina e de todos que atuam na área da saúde, Obaluaiê é sempre requisitado nos casos de doença. Também é o responsável pelas passagens da alma; tanto na reencarnação, quando estabelece o cordão energético que une o espírito ao corpo (feto) que será recebido no útero materno assim que alcança o desenvolvimento celular básico dos órgãos físicos e promove a redução do corpo plasmático do espírito até que fique do tamanho do corpo carnal alojado no ventre da mãe, deixando tudo pronto para o nascimento da nova criança no plano terrestre; como também Obaluaiê atua na desencarnação dos espíritos, promovendo a readaptação da alma ao plano espiritual e direcionando cada um conforme seu destino e merecimento determinados pela Lei do Karma. Por este motivo todos os cemitérios – kalunga pequena, como são chamados na Umbanda – são locais por excelência de Omulú. Ao adentrar um cemitério todos devem pedir licença dizendo: Atotô Obaluaiê!

São Lázaro
           
            Nos terreiros se manifesta coberto com palha da costa, para esconder suas marcas de nascença. Seu dia da semana é a segunda-feira, suas cores são o preto e o branco intercalados. Conhecido como médico dos pobres, é o Orixá da misericórdia dos enfermos.  Seu instrumento é o Xaxará (feixe de piaçavas e um maço de palha da costa, enfeitado com búzios). Com ele afasta as enfermidades e trás a cura. Auxilia os profissionais da saúde nos tratamentos e no alívio das dores dos pacientes. Guardião das almas atua intensamente nos locais da pré e pós-morte, tais como hospitais, necrotérios e outros, a fim de proteger os recém desencarnados durante sua passagem e adaptação a nova condição espiritual. Por este motivo devemos sempre rezar a Obaluaiê e pedir luz para os parentes e amigos falecidos recentemente. Seu elemento primordial é a terra. Suas principais ervas são a alfavaca, o cabelo de milho, o cravo da índia, a hera e a barba de velho, dentre outras.


         
  
Oração a Obaluaiê
Os filhos de Omulú – pessoas cuja coroa ou cabeça é regida por este Orixá – costumam ter o seguinte perfil psicológico: são atarracados, um tanto “desajeitados” no trato social e nas relações interpessoais. Pouco espontâneos, pensam muito antes de se expressar. São sisudos e desconfiados, adaptam-se a situações estáveis e são fiéis a causa que abraçam. Inflexíveis e muito persistentes. Podem ser fechados, tímidos e têm certa dificuldade na conquista amorosa. Possuem uma tendência ao pessimismo, são solitários e chegam a gostar disto. Melancólicos, podendo ser amargos em algumas situações. Em contrapartida, são determinados, sempre prontos a ajudar alguém doente ou com alguma deficiência. Resistentes e capazes de grandes esforços. Muitas vezes sofrem em silêncio a fim de alcançar um objetivo. Enfim, todas as almas do planeta são regidas por Obaluaiê, principalmente naqueles momentos de mudança e passagem espiritual. Por isso devemos respeitar e agradecer ao Senhor da transformação: salve Pai Obaluaiê, salve Senhor Omulú, atotô! Axé!

terça-feira, 10 de novembro de 2015

Ogum, o desbravador...

   Ogum é o Orixá da Lei e seu campo de atuação é a linha divisória entre a razão e a emoção. É o Trono Regente das milícias celestes, guardiãs dos procedimentos dos seres encarnados e desencarnados em todos os sentidos.
   Após dez artigos sobre os fundamentos da Umbanda - todos publicados neste espaço - em que introduzimos conceitos básicos a respeito da religião, temos condições de começar a aprofundar um pouquinho nos conhecimentos considerados “velados” para o publico leigo. Desta forma, iniciaremos hoje uma série de artigos específicos de cada Orixá; em que o leitor passará a verticalizar informações sobre cada um dos principais santos africanos cultuados na Umbanda. E, para abrir esta série, escolhemos o Orixá considerado o Desbravador, Aquele que vai a frente “abrindo os caminhos” para os demais, seu nome é Ogum!
   Ele é o senhor da Lei e da ordem. Rege todos os procedimentos terrenos e astrais, é o “organizador”. Se fizermos um paralelo à hierarquia e domínios do poder, podemos entender Ogum como sendo o general, aquele que executa e faz cumprir; seu melhor soldado seria Exu, o capitão; enquanto Xangô seria o regente, que faz as leis e é responsável pela justiça.
   Por isso Ogum é o Orixá da guerra, é o guerreiro por excelência; dono das artes manuais e do ferro; é o patrono do desenvolvimento e da tecnologia. Protetor daqueles que trabalham com o ferro, com máquinas e coisas afins. Ogum é o inventor das ferramentas de ferro forjado (enxada, arado, pá, martelo, bigorna, etc.) e depois de criá-las, ensinou o trabalho ao ser humano, por isso é protetor da agricultura e de todas atividades laborais ligadas à sobrevivência do homem. Ele é invocado para resolver problemas de trabalho e ajuda a superar as dificuldades no estudo e desenvolvimento profissional. Pelo caráter guerreiro, é o patrono dos militares. Muito solicitado quando se deseja vencer demandas materiais e espirituais. Sempre vigilante, marcial e pronto para agir onde lhe for ordenado. É desbravador de caminhos, foi o primeiro Orixá a passar, enviado direto de Oxalá, abriu novos caminhos com seu facão e, com sua lança, conquistou novos mundos.
   No sincretismo, é cultuado como São Jorge – o santo guerreiro. Seu dia é 23 de abril. O elemento primordial de Ogum é o “ar”, sua vibração e sua manifestação trazem sempre a força eólica do Axé. Seu gestual representa a luta com espada ou lança. Seus filhos – crentes de Umbanda, cuja cabeça pertence a Ogum – são cobrados diariamente por esse comportamento de retidão, ordem e disciplina. E, aqueles que não atuam conforme determina este Orixá, vivem constantemente com dificuldades e contratempos. Normalmente os filhos de Ogum possuem as seguintes características positivas: são valentes, destemidos, buscam novos objetivos, novos desafios, dificilmente se acomodam, são pessoas perspicazes, práticas e corajosas; são dedicados
ao bem estar da família, geralmente bonitos fisicamente, talentosos e inteligentes. Como características negativas as pessoas protegidas por Ogum normalmente são gananciosas, atrevidas, se valem, as vezes, até da falsidade para atingir um objetivo, são temperamentais e impiedosos.
   No culto propriamente dito, Ogum é reverenciado para a proteção da casa ou do terreiro. Quando se trata de uma Gira, normalmente é o primeiro Orixá a se manifestar. Sua cor é o vermelho vivo, seu dia da semana é terça-feira, seus pontos de energia na Natureza são os caminhos retos, trilhos de trem, estradas sem curvas e sem encruzilhadas; as praias e, em algumas nações, os cemitérios. Seus instrumentos são todas as ferramentas de ferro, o facão é sua principal expressão. Sua árvore sagrada é o Akokô, cuja folha trás prosperidade e nunca deixa faltar o sustento material. Suas ervas são: espada de São Jorge, arruda, inhame e folhas de eucalipto. Dentre outros, o abacate, a goiaba, e o marmelo são frutos de Ogum. Seus animais são o cavalo, o boi, o cachorro e a cobra. Sua saudação é “Ogunhê”!
   Ogum está sempre pronto para socorrer todos que estão passando por mudanças em suas vidas. Uma nova jornada profissional, uma prova, um concurso, abrir um novo negócio, uma nova empresa, ou mesmo uma mudança de residência ou cidade, são momentos ideais para se pedir a proteção e rezar para Ogum. Orixá da força, da energia e dos caminhos iluminados. Que Ogum nos proteja sempre, Ogunhê! Axé!